Sunday, October 22, 2006

Prima lectio brevis, ultima non datur

Às vezes dá-me vontade de emigrar, de me pôr a mexer daqui para fora e esquecer que a Murtosa existe…
Há muito que a construção da Murtosa à volta dum contexto emigratório devia ter sido ultrapassada, dando lugar a uma terra pululante de ideias arejadas e vanguardistas.Mas não tem sido assim. Parece que meia dúzia de mandantes, pretensos entendidos, politicamente instalados atrás dos partidos que alternam no poder, insistem em incentivar este atraso com o macabro anseio de isolar a Murtosa ao mundo e afastar para bem longe todos aqueles que não se conformam.
Quem sabe se um dia a Murtosa será aquela terra que tanto desejamos.
Nasci Ludovico Arménio de Alencar Rodrigues Cirne, cedo parti para os estudos e vida profissional na Capital do Império, donde parti para o ultramar até ao final do longínguo ano de 1973 (felizmente consegui meter a massa toda cá!)
Vivo na Murtosa ao fim-de-semana, normalmente de 4 dias... (a Murtosa tem semana?).
Não trabalho na Murtosa, obviamente. Onde poderia trabalhar?
Sou colega do Tomás, do Marcelo e da Maria altivez, muito embora raramente consigamos estar de acordo seja no que for. E nunca estivemos tão próximos como agora.
A Murtosa, da Murtosa, pela Murtosa, com a Murtosa e a favor de tudo o que esteja bem na Murtosa. Mesmo que doa a quem ache o contrário. Mesmo que se esteja a viver na Torreira, ou mesmo ao lado de Westminster.
Muitos afirmam a universalidade do murtoseiro e garanto-vos que é mesmo verdade. Até na ilha de Creta encontrei portugueses com familiares murtoseiros, e no Hawai americano há alguns descendentes de murtoseiros que empreenderam a migração do século XVIII para aquele local perdido no Pacífico, juntos com carradas de Açorianos. Confundimo-nos com o mundo e o mundo sempre nos aceitou sem reservas. Parece que apenas na Murtosa é que os Murtoseiros são olhados de soslaio. Dizia o meu avô: “A Murtosa é uma má mãe e uma bela madrasta”. Hoje começo a perceber este contra senso. Homo lupus homini... O homem é lobo do homem... Já os clássicos tinham este problema e, de facto, não conseguimos grandes avanços nesse particular.
Quem se lembra do meu homónio, sentado no seu cadeirão junto à lareira, a ter as suas conversas em família, lembrar-se-á, certamente, de alguns dos temas desenvolvidos pelo professor. Um deles foi, exactamente, esta problemática do homem ser o único predador do homem, coisa que na natureza é singular, tanto mais espantosa quanto o ser humano é capaz de inteligência reflexiva.
A Murtosa não é excepção... também os murtoseiros desfazem-se uns nos outros, invejam-se, tentam prejudicar-se, lamentam-se, acusam-se, processam-se. No fim, choram, dizem-se arrependidos e caem nos braços uns dos outros em grandes prantos fraternais. Claro que no dia seguinte lá vão a caminho do advogado para meter mais uma acha na fogueira com que esperam torrar o vizinho. Sorte do advogado, azar do tribunal.

Bem... deixemo-nos desta conversa da treta.
Vamos remexer o charco da Murtosa a ver se saltam umas rãs?!
Como dizem os putos: ‘bora: ‘tamos nessa.

Creio que a zona de comentários pode ficar aberta para que algumas almas possam exercer o seu direito ao contraditório. É interessante como este direito foi “descoberto” pela imprensa de forma transversal e seja usado para tudo e para nada... assim, também as Enguias Fritas reservam o direito ao contraditório neste Blog a todas as postas que vos sejam atiradas.